<$BlogRSDURL$>
Estado de Sítio
domingo, dezembro 21, 2003
 
Quem é o homem que se segue?
Depois de centenas de mortes desnecessárias, e depois de um país ter ficado parcialmente destruído, George W. Bush conseguiu cumprir os seus intentos e capturar, finalmente, Saddam Hussein.
Apesar de ter ficado satisfeita pelo facto de o ditador iraquiano ter sido preso, fiquei chocada pela maneira como a notícia foi transmitida ao mundo. O modo como o Administrador Norte-americano no Iraque deu a notícia foi, no mínimo, patética. Parecia uma daquelas comédias bem ao estilo de Hollywood, uma verdadeira comédia feita por americanos para americanos, à qual só eles são capazes de achar alguma piada.
Mas o pior nem foi isso. O pior foram mesmo as imagens de Saddam Hussein a ser examinado por um médico. Senti-me verdadeiramente ultrajada. Como é que se trata um ser humano daquela maneira, como se fosse um animal a ser avaliado antes de ser vendido. E não me venham com a conversa do costume, de que Saddam é um déspota, um tirano que nunca respeitou os Direitos Humanos, e que matou milhares de pessoas. Não posso deixar de concordar com todas essas afirmações. Mas também não consigo ficar insensível às imagens que vi na televisão. Apesar de tirano, ele não deixa de ser uma pessoa, um ser humano. E, por mais difícil que seja de aceitar, porque tenho de admitir que é mesmo muito difícil, Saddam Hussein deve ser tratado com todo o respeito e dignidade que são devidos a todos e qualquer ser humano.
E o que mais me espanta é a atitude dos representantes americanos. Esse Senhores que se afirmam como defensores dos Direitos Humanos não têm vergonha de os violar, não têm qualquer problema em desrespeitar aquilo que com tanto fervor proclamam. São esse Senhores que estão dispostos a deixar que Saddam seja condenado à morte pelos seu crimes. E eu pergunto-me, e pergunto a quem não tiver medo de me responder: não serão esses Senhores tão assassinos, tão tiranos, como o homem que acabaram de capturar se, realmente, o condenarem à pena capital, e depois executarem a sentença? É só uma questão pertinente, que um dia gostaria de ver respondida!
Se querem saber, não tenho medo algum de admitir que tive pena de Saddam Hussein, da maneira como foi exposto, como se não fosse nada. É que nem os animais merecem ser tratados assim.
Só gostaria de deixar uma pergunta no ar. Sr Bush, depois de Osama Bin Laden ( que continua a brincar ao gato e ao rato com os americanos), depois de Saddam Hussein, quem é o homem que se segue?

Ana Raimundo Santos

quarta-feira, dezembro 10, 2003
 
Editorial
Algures, numa viagem rumo a Lisboa, ocorreu-nos aquilo que muitas vezes nos tinha ocorrido, mas nunca se tinha materializado em palavras.
Demos por nós a escrever mentalmente este editorial vezes sem conta, e uma vez que se trata do primeiro número, havia a necessidade de demonstrar o objectivo deste projecto. No entanto, tal tarefa tornava-se extremamente difícil, tendo em conta que o trabalho encetado por todos levava a uma imagem única daquilo que o “Estado de Sítio” (ES) representava para cada um.
- Eis, se não quando... o filme que era exibido durante a viagem lançou uma série de ideias das quais duas frases nos ficaram na memória;
“cada momento que passa é uma nova oportunidade para mudar o rumo da realidade envolvente” e “ para se conhecer o doce é necessário percorrer o amargo da vida” ; qualquer coisa assim...
Os mais atentos, ou aqueles que tiveram a oportunidade de o ver, já perceberam que se trata de um filme acerca do limiar da realidade e do sonho, ou mais concretamente, quando e porquê estamos perante qualquer um destes estádios.
De forma alguma queremos fazer uma crítica cinematográfica ( a rúbrica dos 7 sentidos que trate disso), no entanto, a temática suscitada;- o que é o sonho? - ; - o que é a realidade?-; transporta-nos para a necessidade inerente que cada ser humano tem em se alienar, ou simplesmente, fazer uma interpretação diferente daquilo que nos rodeia.
O sonho surge então como um escape, como uma figura de estilo, como algo que nos acolhe e fornece o calor para continuarmos a lutar.
O sonho é simultaneamente o irreal e aquilo que não gostaríamos que fosse a realidade. É claro!, tão claro como uma questão de interpretação pessoal.
Tudo aquilo que vemos, tudo aquilo ouvimos, tudo aquilo que tocamos nada mais é do que a imagem filtrada pela nossa interpretação. A realidade é, e sempre será, filtrada nos nossos sentidos. Em última análise, será sempre a nossa mente a atribuir o tom a cada uma das cores.
Este minuto que passa é a nossa oportunidade de mudar a realidade envolvente, este é o sonho , para que tal aconteça é necessário apontar e provar do amargo e do doce da vida esta é a interpretação que fazemos (ES) do sonho.
Este projecto representa algo de muito pessoal e diferente para cada um de nós, esperamos que não seja apenas um sonho, que não se desvaneça com o passar dos tempos, e que cada momento seja a nossa oportunidade de ajudar a criar uma impressão em todos aqueles que querem ter opinião.
... A obra vive do desejo de a partilhar...

Direcção do ES

(...) Deus quer
O Homem sonha
A obra nasce (...)

Fernando Pessoa




 
Comunicar
Assim surgiu este blog. Para que a comunicação e a interactividade se torne mais rápida e fácil com os leitores do estado de sitio que está a dar os primeiros passos no mundo da blogoesfera.

Powered by Blogger